11 Ago 2007

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Escrito por: Sebastián Forero Contioso el 11 Ago 2007 - URL Permanente

Ante la imposibilidad de estar alimentando varias blogs, voy a tomar como referencia aquella que tengo en Blogspot titulada también "El Pupitre", sobre el que todos hemos aprendido y pretendo seguir aprendiendo. Allí me encontraréis...

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Ricardo Windsor Aveiro dijo

Nossa pátria língua-mãe
Por Aldinida Medeiros *
"Última flor do Lácio, inculta e bela, / És a um tempo esplendor e sepultura". Com essa denominação inicia o poeta brasileiro, Olavo Bilac (1). uma homenagem à nossa língua, na forma do célebre poema Língua Portuguesa. Última porque, das línguas derivadas do latim, foi ela a derradeira no processo de formação, tendo sido precedida pelo italiano, francês, romeno e espanhol. Flor do Lácio porque originada na região italiana do Lácio, parte da antiga Itália, onde vivia um povo chamado latino, fundador da cidade de Roma. Inculta e bela pelo mau trato que lhes dão seus falantes-nativos (2), seja na
oralidade ou na escrita. Inicialmente apenas uma ramificação da língua da Galiza, nosso
idioma já foi denominado galego-português, mas passou por modificações, tanto na pronúncia quanto na escrita, até chegar à forma do português atual, falado em oito países, os quais compõem a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
É deveras bela a história da formação e evolução deste idioma.

Entretanto, o que entra em discussão aqui é o uso excessivo de estrangeirismos, sobretudo, vocábulos da língua inglesa usados constantemente na língua portuguesa.
Convém, antes, remetermo-nos ao período de formação da nossa língua. Quase todos os povos da Península Ibérica, durante o domínio romano, adotaram o latim como idioma. O território da Península Ibérica, no século I a.C., foi dividido, inicialmente, em duas grandes províncias, Hispânia Citerior e Hispânia Ulterior. Esta última foi
também dividida em duas outras províncias: a Bética e a Lusitânia, onde se estendia uma antiga província romana, a Gallaecia - futura Galícia, depois Galiza. À proporção que os antigos domínios dos reinos europeus foram sendo recuperados, no século XI, pelos cristãos, os árabes expulsos começam a se concentrar mais ao sul da Península (3).
Vale lembrar que foi nas montanhas das Astúrias, norte da Península, que teve início a Reconquista Cristã.. Partindo de um núcleo que oferecia resistência - eram soldados restantes dos exércitos hispano-visigóticos e cristãos rebeldes -, o movimento de Reconquista foi se alargando e se propagando para o sul, recuperando os territórios
perdidos. Foi então que se formaram os reinos de Leão, Aragão, Navarra e Castela. No reinado dos reis católicos da Espanha, Fernando e Isabel, encerra-se o período de dominação dos árabes, que durou sete séculos, e teve o importante papel de desencadear a formação de Portugal como Estado Monárquico (4).

Nesse cenário da Reconquista surgem, então, dialetos chamados moçárabes, resultantes do contato do árabe com o latim. Os grupos de reconquistadores, que antes habitavam apenas o norte, passam a se instalar, depois da Reconquista, mais a sul, originando o território português. Em processo semelhante, mais a leste da Península
Ibérica, os leoneses e os castelhanos também foram se concentrando e
progredindo para o sul, habitando as terras que, mais tarde, viriam a se tornar a Espanha. Na evolução das línguas da Península Ibérica, por volta do séc. V, já se percebe o início de uma divisão que vai resultar no galego-português, de um lado, e no castelhano, do outro.

Formado entre os séculos IX e XII, o galego-português vai terminar recobrindo todo o território lusitano.

Quando Portugal surge politicamente, o galego ainda é a língua em que são escritos nossos primeiros textos literários: o Cancioneiro da Ajuda, o Cancioneiro da Vaticana, as Cantigas de Santa Maria. Aos poucos, contudo, vai-se extinguindo a influência lingüística do Norte - junto à Galiza - e preponderando a influência do Sul;
considera-se o séc. XIV como o momento em que o português passa a
existir. Mais tarde, com sua independência, fatores políticos, econômicos e sociais determinaram a quebra da relativa unidade lingüística galego-portuguesa. Já separado do galego por uma fronteira política, o português, bastante diferenciado dos outros
falares da região, seguiu seu curso, tornando-se a língua de Portugal (5).
É então que tem início a fase histórica do português, com a constituição da nova nacionalidade. Na segunda metade do século XIII, Portugal firmou definitivamente seu território, com a conquista do Algarve aos mouros. Por questões didáticas, as fases do
português já consolidado como língua são dividas em: proto-histórico, arcaico e moderno. Evidentemente, como todas as outras línguas, no período de sua formação, o português recebeu palavras de vários outros idiomas europeus, inclusive das línguas árabes, pelo intenso contato com os mouros. Mas esse processo aconteceu de forma
natural, espontânea, o que não pode ser considerado como processo invasivo de uma língua à outra.

Sobre a questão da identidade cultural da língua, convém lembrar que as comunidades da CPLP "adotaram" - espontaneamente ou por colonização - a língua portuguesa e, portanto, são países nos quais essa língua é considerada língua materna.6 Desse modo, ainda que se reconheça que o português não é a língua original, nativa, de um
determinado país colonizado por Portugal - como é o caso do tupi- guarani, no Brasil, e dos dialetos africanos, na África - , ainda assim, há que se considerar os valores culturais e a produção artística e literária dessa língua como símbolos de sua identidade.
E, partindo desse ponto, chegamos ao cerne da questão: por que a língua portuguesa recebe e adota hoje tantos estrangeirismos? É um caso que ocorre em Portugal, mas, sobretudo, no Brasil. O caso não é para repressão. Mas desperta preocupação, na medida em que muitos falantes de uma língua não possuem uma consciência
suficientemente crítica, e "embarcam" constantemente na "moda" do que se lança na mídia. É tomando tais aspectos por base que não se pode considerar repressivas as intenções do Congresso Nacional brasileiro de preservar o idioma pátrio. E, se observado por outro prisma, o Projeto de Lei do deputado brasileiro Aldo Rabelo, que
proíbe o uso EXAGERADO de estrangeirismos no Brasil, vem a ser uma regulamentação, e não uma "lei fascista", como consideraram alguns brasileiros especialistas no tema. Não fosse o Estado manter a ordem no sistema de trânsito, e deixasse isso apenas por conta da consciência dos cidadãos, condutores de
veículos, quão caótica não seria a situação nas estradas e vias públicas de um país? Há sim que se limitar o uso excessivo; isso principalmente se levarmos em consideração que os estrangeirismos são adotados pelos meios de comunicação de massa. Para a mídia, interessa vender, divulgar produtos, deixar clientes que contratam
empresas de publicidade satisfeitos. Pouco importa se isso é feito a custo da identidade cultural de uma língua, que é um patrimônio cultural imaterial de uma nação.
Não quero que pense o caro leitor, com isso, que desconheço o processo de evolução e mutação das línguas. Tanto os conheço como sei que, no Brasil, à época da colonização, vocábulos do francês e de outros idiomas foram ao nosso sendo incorporados. Tanto quanto vocábulos de muitos países (reinos na Idade Média) da Europa foram se incorporando à língua portuguesa, desde o período de sua
formação. Quando falamos em estrangeirismos adotados excessivamente por uma
determinada língua, não estamos nos referindo ao fato de os cidadãos desse país aprenderem um outro idioma, que lhes permitiria mergulhar nas riquezas de outra cultura, conhecer as artes de outras nações, estabelecer contatos com outros povos. Estamos falando de palavras soltas, usadas em meio a frases do idioma pátrio, que não servem para um aprendizado mais significativo; ficam ali, como se servissem
de enfeite ao que está sendo dito, como se desse um status lingüístico ao falante. Por exemplo: "meu notebook vem com scanner"; "preciso ir à drugstore", entre outros...
Esse é um procedimento que não ameaça a estrutura básica da língua portuguesa. Todavia, não faz com que seus falantes-nativos a conheçam melhor ou desfrutem mais das possibilidades léxicas que ela oferece. É uma atitude que em muito reflete a importação cultural que muitos países desenvolvem, ao invés de aprofundarem o
conhecimento sobre seus povos em suas raízes e tradições.

Mediante tais aspectos, acredito que muito mais que "copiarmos" constantemente expressões e palavras de outros idiomas - o que não é prejudicial, na medida certa - deveríamos explorar as riquezas que as variações lingüísticas da nossa língua possui. O que ponho em questão é, sobremaneira, o uso excessivo e desnecessário de palavras
de outros idiomas e, principalmente, do inglês.

1 BILAC, Olavo. Poesias. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 23ª edição. 1964, p.262.
2 Denominamos aqui falantes-nativos aqueles que têm uma determinada língua como seu idioma pátrio, por ser considerado "nativo" desse país.
3 Retirado e adaptado do site:
4 Retirado e adaptado do site:
5 Baseado em SARAIVA, António José; LOPES, Óscar; História da Literatura Portuguesa; Porto Editora, s/d.
6 Nesse estudo, o termo língua materna está sendo empregado no mesmo sentido de língua-mãe, ou seja, aquela adotada como língua de origem do falante-nativo, coincida ou não com sua nacionalidade.

Aldinida Medeiros, Professora de Língua e Literatura, Mestra em Literatura Comparada, aldinida@yahoo.com.br

Fonte: www.tintafresca.net/

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Sobre este blog

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El Pupitre

Nació en Valverde del Camino, Huelva, en 1967. Es periodista y editor del diario digital 'informativos.canalsur.es'. Delegado en Andalucía Occidental de la Agencia de Noticias Colpisa, trabajó en la COPE, ABC y, desde 1992, en Canal Sur. Fue distinguido con el Premio Andalucía de Periodismo en 2002 en su modalidad de edición digital. Es Máster en Gestión de Empresas Audiovisuales.

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