16 May 2012
Mario Vargas Llosa e sua tia Júlia

Em 2010, quando publiquei o texto “Mario Vargas Llosa, Nobel de Literatura”, de passagem eu criticara a infeliz recriação do peruano no livro A Guerra do Fim do Mundo. Ainda que na época o comunicado de Estocolmo informasse que na literatura de Llosa o tema central era a luta pela liberdade em seu país, pois os prêmios, como os obituários, mentem na proclamação das virtudes, maior foi a mentira na imprensa brasileira ao noticiar o livro sobre Canudos como um dos seus grandes feitos.
Pelo contrário, já ali eu havia notado que pelo menos em “A guerra do fim do mundo” Mario Vargas Llosa havia sido um portentoso fracasso ao cometer um livro falho, indigno de um criador um pouquinho acima da média, porque não se sustentava em vários níveis: a) pela criação mesma de personagens – e um deles era nada mais, nada menos, que Antonio Conselheiro; b) pela desproporção de abismo entre a dimensão humana/política de Canudos e o livrinho realizado; c) pelo cotejo inevitável com a obra-prima Os Sertões – o de Llosa e o de Euclides eram dois mundos estranhos, antagônicos, repelentes recíprocos; d) pela aviltação de Euclides da Cunha, um intelectual de honestidade absoluta, que só era recuperado para o grande público em recriações constrangedoras (e fugia do objeto do texto, na ocasião, e por isso não foi lembrada a insultuosa minissérie Desejo, da Rede Globo, onde o drama familiar de Euclides se transformara em realce para uma personagem feminista de vanguarda). Mas, digamos, isso é passado.
O diabo é que o passado na literatura é um infindável presente. Nela não há jornal velho ou produto com a validade vencida. Se nos perdoam os norte-americanos, na literatura há uma eternidade muito acima da dos diamantes, pois em vez de pedras a humanidade é que brilha. E se perdoam o passo, passagem e queda, queremos dizer, aquele passado ruim, precário e pretensioso de Mario Vargas Llosa torna a voltar em “Tia Júlia e o escrevinhador”. Então digamos, isto é presente.
Para o caso de Tia Júlia, pouco importa se o narrado se atribua a um autor de radionovela, Pedro Camacho, louco de frases sonoras e de extravagâncias, ou a um escritor cujas recordações se confundem com as do tido como o Magnífico Mario Vargas Llosa. Importa o conjunto, a forma da argamassa geral do livro, e o sentimento de dó, constrangimento que causa até nos olhos de quem desejava apenas se entreter, mas sem rebaixar a própria inteligência. Pois o que diria um leitor diante desta literatura cuja eternidade está mais para diamantes que para a humanidade?
“Demorou para pegar no sono e, quando pegou, começou imediatamente a sonhar com o negro. Via-o cercado de leões e cobras vermelhas, verdes e azuis, no coração da Abissínia, de cartola, botas e uma varinha de domador. As feras faziam graças ao compasso de sua varinha e uma multidão espalhada pelas moitas, troncos e galhos alegrados pelos cantos dos pássaros e o chiar dos macacos, o aplaudia loucamente”. Dirá no mínimo que estamos ante um mau escritor, que divaga para expressar o mundo dos sonhos sem entrar na pele do personagem. E pior, que neste romance não há uma seleção de fatos, que são substituídos por amontoados descritivos. Mas o trecho é de “Pedro Camacho”, ruim e extravagante de ruim de propósito. Então vamos ao próprio escritor.
Além da falta de seleção de pessoas e circunstâncias, com narração sonolenta, em um relato de paixões e carnalidade quase não há sexo, ou o que seria mais humanamente literário, de promessa de sexo entre belos e saudáveis primos que se contam segredos, por exemplo. Em um trecho, o narrador fala a sua prima, e dela faz uma confidente amorosa. São dois jovens que se falam de amor e paixão, sem que se envolvam na chama. O que vem a seguir não é crível, acreditem, quando um impetuoso rapaz de 18 anos conta para a linda prima:
“- Você gosta da Julita só ou está apaixonado por ela?
Houve tempo em que lhe fizera confidências sentimentais e agora, como ela já sabia da história, fiz de novo. Tudo havia começado como uma brincadeira, mas, de repente, exatamente no dia em que senti cumes de um endocrinologista, me dei conta de que estava apaixonado. Porém, quanto mais voltas dava, mais me convencia de que o romance era um quebra-cabeça. Não só por causa da diferença de idade. Ainda me faltavam três anos para terminar a advocacia e eu desconfiava que nunca exerceria essa profissão, porque a única coisa de que gostava era escrever. Mas todos os escritores morriam de fome. Por ora, só ganhava para comprar cigarros, alguns livros e ir ao cinema. E tia Júlia ia me esperar até que eu fosse um homem capaz de saldar suas dívidas, se é que algum dia chegaria a isso. Minha prima Nancy era tão boa que, em vez de me contradizer, me dava razão:
- Claro, sem contar que aí você talvez não goste mais da Julita e largue dela – me dizia com realismo. – E a coitada terá perdido tempo miseravelmente. Mas, me diga uma coisa, ela está apaixonada por você ou está só brincando?
Respondi que tia Júlia não era uma biruta frívola como ela (coisa que a encantou).”
A isso caberia só uma anotação ao lado: absurdo! O autor relata como um burocrata, isso, conta sem que se reflita nos personagens o que ele conta do que fazem. Em romance, ou melhor, em arte, isso é grave. Ele descreve fatos, ele não narra gente. O reflexo do acontecimento na pessoa navega ao largo. Aquilo que aprendemos em desenho, em imagens do bom e velho cinema, de que a sombra do personagem, em momentos dramáticos, é mais humana que a pessoa, e nem precisaríamos ir a Eisenstein, pois nos basta o que o genial Kafka ensina quando elude o prosaísmo que é o simples contar fatos, esqueçam. Ou melhor, lembrem por oposição neste passo do Tia Júlia:
“- O que eu não gosto nem um pouco é a história do revólver – comentou tia Júlia. – Acho que é em mim que ele haverá de dar um tiro. Olhe, Varguitas, espero que meu sogro não me mate em plena lua-de-mel. (Negrito desta resenha) E o acidente? Coitado do Javier! Coitado do Pascual! Que confusão a gente aprontou para eles com nossas loucuras...
Pagamos o hotel, fomos tomar um café com leite na praça de Armas e meia hora depois estávamos outra vez na estrada, em um velho lotação, rumo a Lima. Durante quase todo o trajeto, fomos nos beijando, na boca, no rosto, nas mãos, nos dizendo ao ouvido que nos amávamos e brincando com os olhares inquietos dos passageiros....”.
Para não dizer absurdo, digamos, isso é falso. O jovem Vargas de 18 anos e sua tia de mais de trinta estavam sob a mira de uma explosão familiar, com ameaças de morte de um senhor arbitrário, pai do narrador, sob escândalo moral e de costumes. E no entantoe rumavam para o centro do vulcão em Lima aos beijos e apertos. Quem já passou pelo amor e paixão tensos e perseguidos sabe que as linhas citadas acima são vazias de significado. Amantes à beira do limite de uma dissolução não agem com tamanha leviandade, digamos, para dizer o mínimo. Nesses dois falhos personagens não há o morre e renasce, morre e renasce, como as batidas de um músculo no peito. Júlia e Varguitas longe estão de seguir para o centro de suas vidas com os olhos vermelhos, porque desejariam renascer, quando na verdade fariam um nascimento a fórceps, vindo daquela luz emitida por Goethe. “Enquanto não compreenderes que tudo morre e que tudo renasce, continuarás a ser apenas um visitante de um triste planeta”.
Qual. Para quê um clássico luminoso, para que exigências de humanidade em personagens cômicos, burlescos? Em Tia Júlia e o escrevinhador, Mario Vargas Llosa vence o escândalo, os traumas, a tempestade, a inexperiência de adolescente, pelo que conta em suas linhas. “O casamento com tia Júlia foi realmente um sucesso e durou bem mais do que todos os parentes e até ela mesma tinham temido, desejado ou prognosticado: oito anos”. Que sucesso! O narrador venceu todas as dificuldades. Em Tia Júlia e o escrevinhador, Mario Vargas Llosa perdeu apenas o mais essencial para um escritor: a construção e a responsabilidade da arte de narrar.
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15 comentarios Escribe tu comentario
loisdmuras dijo
Hola Hurariano…
Ese libro de Vargas fue un cambio de el ,volviendo a Perú triunfante , como queriendo superar el pasado y al mismo tiempo no queriendo volver a escribir sobre Perú , aunque seguiría escribiendo sobre el sin mencionarlo pero no siendo capaz de escribir por que se “jodio” Perú.. Da igual en el tema de Trujillo explico la “jodienda” pero no explico por que se“jodio”.
“La tía Julia y el escribidor” , 1977, me da impresión que no se puede separar de la aparición del “El beso de la mujer araña” (1976) Manuel Puig y “La guaracha del macho Camacho” (1976), Luís Rafael Sánchez.
No se si el nombre lo tomo de este ultimo y hizo lo mismo que con los Sertones y Sendero Luminoso. Aquí el personaje se vuelve loco. ¿Venganza contra quien ?
.Lo que si intenta es hacer un melodrama humorístico teatral y lo que le sale es una construcción de personajes extremadamente rígidos, formales y, sobretodo, carentes de sentido del humor , unos dicen que a propósito otros por incapaz de hacer un libro como el de Rafael Sánchez y utiliza las noticias como de radio novela mas tarde lo reinscribiría de otra forma a parte la Tía Julia le contesto contando la historia real según ella .
Es siempre en el ese rol central del autor en el proceso creativo sobre la base de sus experiencias personales, a partir de la lucha con los demonios que lo atormentan, que el construye universos alternativos de derrotas.
Si bien un escritor no puede elegir las experiencias que configuran su historia personal, sí es responsable de la técnica que desarrolle para transfigurarlas en ficción. La conceptualización del escritor como un individuo solitario, aislado del mundo, que crea desde demonios totalmente personales, fue cuestionada tempranamente por Ángel Rama, quien criticó con dureza la visión individualista de la literatura de Mario Vargas Llosa
Esa novela al principio no tuvo buena acogida . ahora se recupero , no se por que..¿ los melodramas televisivos de consumo?.. No se . O la linealidad “narrativa”.
Así…como dice…
“Pois o que diria um leitor diante desta literatura cuja eternidade está mais para diamantes que para a humanidade?”…
El sueño…
“Demorou para pegar no sono e, quando pegou, começou imediatamente a sonhar com o negro”…..
Menuda pesadilla…
Eso es…
“O autor relata como um burocrata, isso, conta sem que se reflita nos personagens o que ele conta do que fazem. Em romance, ou melhor, em arte, isso é grave. Ele descreve fatos, ele não narra gente”.
Permítame una ironía.. se supone que estudiaba abogacía… cuando sucedía eso.. ¡jajaja!
Desde luego con la novela cuando la leí no me reí nada..con usted lo he hecho a carcajadas…
Un fuerte abrazo.
Julio Hermaz. dijo
Oye Lois. Saludos.
Conmigo también te reíste a carcajadas cuando te escribí LA SOLTERONA”, y Yo no soy “UN PREMIO NOBEL DE LITERATURA”… Pero sí soy un aprendiz de Escritor!/Insolente que hasta me atreví por aquí!, presentando calidad literaria en cuento (cont…) “EL REINO DEL HOMBRE”/retar (poniendo testigo a La comunidad el país/blog,s o al periódico mismo), aquí retar a competir conmigo!, un cuento/igual Literatura/que en los días de hoy promete ser pronto!, quien defina a NUESTRA LITERATURA FUTURA (“si es corto y bueno mejor”), más, que “La Novela”, que ya “se acusa de ser un grande monstruo”. Pesado y viejo, y al último novelero. Al Maestro Mario Vargas Llosa.
Y a su gran talento NOVELERO, le digo ¡adiós!, por tan presuntuosamente pretender ignorar AQUÍ/EN EL PAIS ESPAÑOL, ¡Un Reto!, “ignorando aquí, a un aprendiz de su Escuela a cual falta La Poesía/y que és hoy Gran Premio”, falseando ser gloria de los consecutivos/de que… “Sin Poesía No Hay Escritor”!...
Yo respeto al mayor. Nuestro premio nobel de literatura hoy Mario Vargas Llosa, y al otro que merecemos y debemos esforzarnos hasta póstumo lograr, ¡Jorge Luis Borges!, que sí, era Poesía!!!...
Mi cuento EL REINO DEL HOMBRE (que voy a terminar cuando me responda Mario Vargas Llosa, el reto!), que dediqué al Maestro EDGAR ALAN POE!. Muestra de mí lo capaz de competir al Maestro Mario Vargas Llosa/Premio Nobel De Literatura/para que haga valer su novela contra el cuento mío... Que hoy!, Si es corto, y bueno, ¡Es Mejor!...
Saludos.
Julio Hermaz.
Urariano Mota dijo
Salve, Lois. A tua intervenção, o teu comentário eleva o nível do meu texto e, com mais conehcimento íntimo da obra de Vargas Llosa, continua o que escrevi.
Aqui no Brasil, recebi comentários raivosos, irados, plenos de insultos dirigidos à minha pessoa por duvidar da excelência do ídolo. No mínimo, chegaram a pôr em ridpiculo a minha capacidade de ver os pés de barro do Magnífico Marito. Hombre, eu me disse a mim mesmo, eles confundem competência, qualidade literário com a fama. Eles não conhecem a fera.
Gracias, amigo.
Fuerte y fraterno abrazo.
loisdmuras dijo
Hola Julio... Por lo que leí de usted... si que sabe narrar. En realidad en la vida es lo que uno se plantee, yo aspire a ver el mundo y su representación..y aun estoy en eso por que me cambia a enorme velocidad .y mas que ver un mundo jodido, me interesa saber por que se jodió la cosa, por eso a Vargas lo veo aquí superficial y en este caso artificioso...y pretencioso ...los personajes como dice Urariano no son creíbles en esta novela biográfica...aunque al principio lo leí con afición...Además en está, no es en la única que lo encontré , es repetitivo y sin final , quizás por que el es el fin en si mismo. Entre Ego y Narciso anda la cosa. El personaje del padre tampoco es creíble.
Pero como decía antes no se por está novela vuelve a valorarse tanto ahora , cuando salio no fue así…por el tipo de lecturas de consumo y mercado va la cosa…pienso.
Un cordial saludo ,espero su cuento…aun que ya sabe que yo soy un lector y no un narrador.
loisdmuras dijo
Amigo Urariano…Es que lo del negro abisinio en la selva con loros y monos es para carcajearse , como si no tuviera la selva al lado , es irreal total por mucho sueño que sea . En Abisinia selva hay en la meseta ,pero la mayor parte es desierto y sabana. los sueños son raros sin un marco físico conocido aunque sea una fantasía a sus 18 años. Pero no deja de ser curioso en otro ámbito ya que la selva en la narrativa sudamericana es un tema constante , pero de ahí a reinventarla .en un sueño en Abisinia va un trecho largo.
Está novela como un tema constante en el que intenta ser transgresora de costumbres por la vía erótica pero suave , el criollismo endogámico , solo escandalizaba a los meapilas y me da impresión que les sigue gustando. Aquí cuando publicaron la primera vez , “ La ciudad y los perros” de el , eso fue lo que le censuro el censor franquista y por eso aparecía como rompedora…
Bueno Tolstoi para escribir Ana Karenina no necesito esos recursos…por eso pienso que Julia , una señora , antes de ser su señora ,merecía otra cosa mas sublime y no una banalización , claro que en un mundo así de macho y racista tampoco se podía esperar mucho.
Un abrazo.
loisdmuras dijo
También diría una cosa , que no tiene nada que ver con Severo Saduy “De donde son los cantantes” ni con los “Tres tristes tigres” de Infante , ni con “ La guaracha..” , ahí si que hay un oralidad identitaria , se oyen las voces vaya. Aquí solo se oye la radionovela barata.
Saludos.
Urariano Mota dijo
Muito bom, Lois! O teu conhecimento geográgico da Abissínia põe o sonho do personagem em Tia Júlia no mais profundo ridículo. Salve! E notaste bem: as tentativas de humor em Llosa chegam a ser constrangedoras. Creio ainda que valeria uma boa análise literária entre o Tia Júlia e o livro claramente biográfico da própria tia Júlia.
Eu fico muito impressionado com a perda, a suspensão do espírito crítico em muitos leitroes que se julgam letrados, cultos, quando elogiam um novelista (dizemos no Brasil "romancista") do nível de Llosa. O quanto ele consegue ser leviano, amigo.
Abrazos.
Urariano Mota dijo
Perdão, quis escrever "teu conhecimento geográfico". E "espírito crítico em muitos leitores".
lois dijo
Uraniano aquí le pongo un resumen incompleto de un análisis sobre Vargas….y el enlace abajo…
….
En las criticas que le hizo Julia dijo justificándose: “hay más invenciones, tergiversaciones y exageraciones que recuerdos y que, al escribirlas, nunca pretendí ser anecdóticamente fiel a unos hechos y personas anteriores y ajenos a la novela. En ambos casos, como en todo lo que he escrito, partí de algunas experiencias aún vivas en mi memoria y
estimulantes para mí imaginación y fantaseé algo que refleja de manera muy infiel
esos materiales de trabajo”.
Desde esa posición filosófica sostiene que la historia no es la
arena en donde los humanos hacemos lo que podemos, sino la Historia en
donde los humanos cumplimos con lo que el destino nos asigna.
Acerca de la Tía Julia y el escribidor, ahora sabemos, también gracias a
Kristal, que: Proyecta la idea [de lo autobiográfico], pero si lo miramos con lupa, no. La tía Julia… es la novela más autobiográfica. Empero, los diálogos entre la tía y el
sobrino enamorado resultan transcripciones modernizadas de conversaciones de
novelas de caballería. En el Tirant le Blanc hay una relación de una viuda mayor
con un adolescente.”
Cuando publico la Ciudad y los perros los que la leíamos no dejábamos de pensar en el autoritarismo militar y como seria una academia militar aquí y en el fondo la novela no esta contra ello si no se publicaría;
“Mario Vargas Llosa es un escritor que siempre ha escrito a favor del poder de las clases dominantes, primero en América Latina y más tarde a nivel global. Esta adscripción al poder constituido se puede leer incluso en sus novelas a priori alejadas de la política”. (Miranda, 2010).
La oferta y demanda de lo que ha sustituido al arte y la literatura, proviene, como estamos viendo, de una necesidad del mercado, pero también de una identificación de
sus mercancías con las necesidades políticas e ideológicas –o justificación de los
“valores”– del sistema capitalista tardío: consumismo, extractivismo, racismo,
individualismo, esteticismo, colonialismo, neofascismo, que constituyen entre
otros, los contenidos de sus publicaciones estrella.
El de la mercancía produce libros de persuasión en los que importa mucho “escribir bien”, textos que no creen resistencias en el amplio público previamente condicionado por los medios, historias que no cuestionen la estabilidad del sistema y temas que no generen conflictos en el lector masa.
Para ello, el escribidor profesional, es decir, el que produce un texto conforme estas normas de corrección político-literaria y de calidad editorial alabadas en el bazar y la bolsa, suele aplicar metódicamente fórmulas comprobadas de técnicas narrativas, susceptibles incluso de ser aprendidas y enseñadas.
Los negocios son los negocios y sus fines de lucro justifican cualquier procedimiento que favorezca las ventas
Está determinado a reproducir los prejuicios de la ideología dominante, es decir, los “valores” sobre los cuales descansan los negocios, la guerra o el control social. Pero no lo hacen de maneras obvias sino sutiles, sin lograr las más de las veces disimular sus contenidos “apolíticos”, pornos o de crónica roja “de calidad”, las comedias light, las de vampiros, brujerías o textos que hablan de la reencarnación de la amante del príncipe, u otras necedades por el estilo, encabezan las listas de best sellers y de argumentos premiados por las academias del espectáculo.
En estos días tenebrosos cuando el mercado lo domina todo, todos estos
productos simplones, religiosos o diversionistas, son un componente
fundamental de la productividad más o menos calificada de los escribidores del
sistema. Frente a ello la literatura y el arte auténticos se han reducido a espacios
no masivos, se han enclaustrado y, sus públicos desgraciadamente han pasado a
ser una elite conocedora, inteligente, sensible, es decir una inmensa minoría.
No obstante ser ésta la regla, los escribidores más reputados del sistema,
aquellos que forman su flor y nata, supuestamente escapan de las banalidades y
vulgaridades, siendo los encargados de producir literatura culta y de calidad.
Mas, como si de una maldición gitana se tratara, tampoco lo suyo escapa de las
determinaciones del productivismo librero y editorial capitalista tardío, en
tanto, están condenados a escribir significados en defensa de lo indefendible, a
divertir en vez de alumbrar, a embrutecer en vez de ilustrar y a engañar en vez
de liberar.
En otras palabras a escribir en contra de la literatura.
un construirse de la historia en coincidencia con el acontecimiento y un
consiguiente desplegarse del acontecimiento en relato
Dadas las necesidades ideológicas del neoliberalismo, en cuya
cosmovisión el individuo es lo único que existe, la teoría de “los demonios
interiores” que VLl difunde es muy funcional: con ella en la mano, el
tradicionalismo literario argumenta que las creación artística y literaria se
originan en el seno materno y no en la sociedad.
En dicho caminar VLl dice entender la objetividad narrativa como algo no
referido al mundo exterior, sino a los valores intrínsecos de la obra:
“Todo en una novela, su verdad y su mentira, su seriedad o banalidad, está dado
por la forma en que se materializa” […] “la necesidad de que una novela sea
persuasiva por sus propios medios, es decir por la palabra y la técnica (el montaje
de la historia) y no por su fidelidad al mundo exterior. (1975: 51)
Pero éstas son solo declaraciones con la cuales trata de conciliar lo suyo
con la novelística del siglo XX, cuya objetividad narrativa –él, también lo sabe–
no está dada por recrear literariamente situaciones históricas en universos
simbólicos que les correspondan, (el “¿qué significas?”), sino por crear
expresiones, cosas textuales emergentes y correspondientes a sensibilidades
distintas que, en el imparable devenir constituyente y libertario de lo social,
asumen otras formas: el “¿qué eres?
Por esto, ejercicios de redacción con cierta
dosis de perversidad sexual como Los cuadernos de Don Rigoberto (1997), son
hechos textuales ilusorios, composiciones literarias bien redactadas y
estructuradas, pero que están muy lejos de ser novelas trascendentales. Quiero
decir: no aportan al conocimiento narrativo y constituyente de lo social y sus
contingencias. En consecuencia, dejan de aportar al fortalecimiento de nuestra
autonomía, dejan de ganarle espacios y tiempo a la nada –que todo lo rodea,
como anotaba Nietzsche–, dejándola avanzar y derrotarnos precisamente en
donde debemos resistir sus embates y crecernos en ese hacerse de la libertad: en
la subjetividad, en la producción de sujeto, sobre todo hoy cuando el dominio
busca poner sus huevos dentro de los cerebros y los nervios de la sociedad
mundializada. Con lo anotado quiero señalar el carácter insidioso de la
literatura comercial del capitalismo tardío, en cuya teoría y práctica VLl ha
resultado ser un instrumento informado, mañoso y eficaz.
Cuando publicó La fiesta del chivo (2000) esta práctica deshonesta se
hizo pública el mismo día del lanzamiento de la obra: Bernard Diederich
(2000), corresponsal de la revista Time, denunció que VLl le había copiado
datos que solo podían salir de su investigación, “y hasta errores históricos” que
solo pudieron haber salido de su libro Trujillo: la muerte del chivo, escrito en
1978.
No solo Diederich le reprochó en esa ocasión.10 También lo hizo Felipe
Collado, escritor y periodista dominicano, quien acusó a VLl de usar
deshonestamente uno de los capítulos de su novela Después del viento para
escribir la suya.
En su descargo VLl dijo que sí se inspiró en el libro de Diederich, pero
que su libro era una novela histórica y no un libro histórico.
Puede que sea como él dijo, pero cuando Carlos Angulo Rivas (2010) le
acusó de “saquear” las obras de Joao Guimaraes Rosas y de Euclides Da Cunha
para escribir La guerra del fin del mundo (1981) y, cuando el mismo VLl dijo en
Chile con motivo de la promoción de su novela sobre Trujillo: “me gusta plagiar
a todos los escritores que admiro”, enumerando a Flaubert, Tolstoi, Malraux…,11
entonces me surgen dudas acerca de su condición de escritor original.
Consecuente con sus puntos de vista políticos e ideológicos, VLl se deslumbra
por el objeto (mercancía), sucumbe ante su fetichismo y llega al extremo de
conferirle estatutos humanos: “Los objetos constituyen [...] una sociedad
paralela: reflejan clases e intereses, niveles de fortuna, el grado de refinamiento
de los grupos, y las familias.”
Un realismo burgués fetichista….decadente... la teatralidad, en lugar de la profundidad humana
En dicha línea el novelista ideal de VLl sería un individualista
irresponsable y sin memorias, autorizado por sí mismo para el saqueo de la
realidad a la cual considera secundaria en su trabajo “creador” y “deicida”.
Un arcaísmo quietista, falso y colonialista.
Pero, cuando vemos que en
VLl “la forma” se reduce a las maneras y a las habilidades retóricas de los
clásicos franceses del s. XIX, como le gusta recordarnos cuando toca el asunto,
percibimos que su elección cae en un esteticismo.
El no dudo en cargarse a diestro y a siniestro por ejemplo el reino de este mundo de Carpentier…
Walter Benjamín ya lo supo y por eso nos recordaba en su XII Tesis sobre el concepto
de historia, que Marx, refiriéndose a los explotados por el capital, decía que
ésta es “la última [clase] sometida, como la clase vengadora que lleva hasta el fin
la obra de liberación en nombre de generaciones de vencidos.” No es arbitrario
por lo tanto, que VLl en la segunda parte de su prólogo a La verdad de las
mentiras se las tome precisamente contra esta idea de la memoria y la historia.
La necesidad de dar una base teórica a la literatura neoliberal se ha tornado
entonces urgente, ahora que la producción se intelectualiza cada vez con mayor
fuerza y el dominio mental, mediante el manejo de lo simbólico, se ha vuelto
indispensable para el sometimiento. En este marco, la utilidad literaria de VLl
es grande. Su consciencia política sumada a la claridad expositiva de sus
escritos, las convierte en productos ideológicos de enorme valor catequizador.
Tal como se puede deducir de la
siguiente cita tomada de su ensayo sobre Graham Greene, El derecho a la
esperanza, incluido en la primera edición de La verdad de las mentiras:
,,,
…”la primera obligación de una novela –no la única, pero sí la más primordial,
aquella que es requisito indispensable para las demás– no es instruir sino
hechizar al lector: destruir su conciencia crítica, absorber su atención, manipular
sus sentimientos, abstraerlo del mundo real y sumirlo en la ilusión. El novelista
llega indirectamente a la inteligencia del lector, después de haberlo contaminado
con la vitalidad artificial de su mundo imaginario y haberlo hecho vivir, en el
paréntesis mágico de la lectura, la mentira como verdad y la verdad como mentira”.
,,,
Está claro o no?...
..
Vea con humor y tiempo el texto completo….
.elecuatoriano.com/documentos/cuando-se-jodio-vargas-llosa.pdf
Un fuerte abrazo.. usted en pocas líneas lo acertó.
lois dijo
Urariano...¿ En Brasil hay neocreollismo eurocentrista en auge o en decadencia?....¡ Jajajaj!
Un fuerte abrazo...
Julio Hermaz. dijo
Oye Lois. Saludos, y a Urariano a quien debo uno.
Ya sabes como pienso de Mario Vargas Llosa, y que he celebrado su nominación y premio al Nobel De Literatura.
Publiqué por aquí “El Reino Del Hombre”, que aún inconcluso se acerca a la extensión total del cuento (2000 palabras), y pensando ajustarlo a sus límites, no quiero dejarlo en lo que en realidad es hoy, un Cuento Largo o una Novela Corta. Claro que el trabajo es mío y no debo esperar por nadie para darlo como un trabajo terminado, solo debo revisarlo y reducirlo.
Si quieres lo puedes leer en una página que tengo en Sanesociety… Solamente busca en Google “Julio Hermaz.”, y abres el link Sanesociety.org.
Otros Saludos a ambos.
Julio Hermaz.
Urariano Mota dijo
Bravo, Lois! Gracias pela informação do link. O que eu vi em um microcosmo, o texto que indicaste observa no conjunto mais amplo, até a denúncia de pastiches e plágios de Mario Vargas Llosa. Reproduzi as tuas luminosas observações no Blog da Editora Boitempo, onde primeiro publiquei o texto,
http://boitempoeditorial.wordpress.com/2012/05/15/o-escritor-mario-vargas-llosa-e-sua-tia-julia/#comment-2367
A cópia que fiz de tua intervenção ainda não aparece porque depende de moderação. Olhes por favor os comentários que recebi no Blog da Boitempo.
Abrazos.
Urariano Mota dijo
Ah, respondendo a tua bem humorada pergunta: no Brasil não temos um "neocreollismo eurocentrista". Depois da influência francesa até meados do século XX, temos hoje um novo tipo de colonizado, tão ruim ou mais ridículo que o "neocreollismo eurocentrista": o de adesão ao Tio Sam, a tia Júlia dos nossos afetados.
lois dijo
Hola Julio .. Gracias por pasarme su contacto...amigo.. Lo que escribe usted es poesía pienso yo.. De eso en Vargas no veo nada…tampoco me lo leí todo de el y con lo que leí tuve bastante.
Si valoro que debía ser un relato largo si no nos quedamos con la miel en los labios.
Un abrazo
lois dijo
Urariano ...leí las criticas y me parecen que tampoco demuestran nada, podían estar hablando de fútbol y dirían lo mismo... mirando en Internet algún blog donde recomendaban el libro , había alabanzas similares parece que están todas cortadas por el mismo patrón , pero también había algunas que no consideraban personajes creíbles a los familiares ni la postura de el . Y otros que salían en defensa de Julia y lo dejaban
atravesado .
El también hay que decir que escribió varios ensayos literarios en realidad vendiendo lo que el hacia y dejando como no validos a los demás.
Y ha tenido muchas críticas como se ve en ese ensayo que le puse ahí…que tenga éxito no dice nada ya que el éxito en el pasado era de las novelas por entregas o la revista que más vende en España es HOLA.
De premios Nóbel , también hubo uno aquí en el siglo XIX que era un éxito en la época y de el hoy nadie se acuerda ya que era un escritor que hoy no nos dice nada..
Pero además esa manía de coger libros de otros y recrearlos ,s e ve que cuando no es una cosa vivida no tiene material y lo que vivió fue la burguesía criolla de Perú por eso al principio impactó.
Como es que necesita para hacer un dialogo con su ex mujer sacarlo de Tirant? , libro de caballerías que por cierto en el Quijote se salva de la quema..
Y con el libro sobre Flora Tristan lo mismo.. eso si aprovecha para cargarse la utopía y la Unión Obrera..francesa.
Y la base son los libros y memorias de Flora…y de Gauguin.
El ultimo libro , no lo leí , pero los que lo leyeron no les gusto , dicen que es muy pesado.. quitado cuando habla de la Amazonia se anima algo.. pero es lo mismo lo saco de unas memorias..y las contó a su modo y manera.
Eso si está claro que el logro una técnica … pero de vanguardia nada.
En fin amigo…
Un abrazo.